terça-feira, 5 de novembro de 2019

16ª maratona Porto - ajudar Pedrinho e ressuscitar "mortos"



16ª maratona do Porto
3 de novembro de 2019
09H00


Desde dezembro de 2018 que estávamos inscritos para esta maratona.
Chegados á "hora da verdade" (aproximadamente um mês antes da data), conscientemente, Teresinha e este v/ humilde escriba, chegaram á conclusão que não estavam em condições físicas ideais para a fazer.
Ainda tentei passar a inscrição para a Family Race (prova de 15K que se realiza em simultâneo) mas, não foi possível por não ter respeitado o prazo mínimo de troca e, ainda teria de pagar 30 euros (15 de cada), como multa.
Então, qui fari?
Bom, vamos ajudar o nosso amigo Pedrinho a efetuar os últimos Km (atenção João Lima, não escrevi Kms  😜) pois, como todos sabemos, o "muro" aparece por volta dos 30K e, é aqui que toda a ajuda é pouca.
No sábado recebo telefonema do Jorge Cruz que, sabendo ao que íamos, nos queria acompanhar e marcar encontro connosco.
Então, no domingo apanhamos o metro na Maia das 10H00 (o Jorge já vinha desde o Castêlo da Maia) e, iniciamos a nossa "odisseia" desta maratona.
Com a agradável converseta o tempo de viagem passou a correr.
Já estamos na Trindade, está uma temperatura ideal para correr (fresquinho) e nada de chuva.
Como tinha instalado a app da maratona, ia acompanhando os nossos amigos através da mesma.
- O Bruno (BA) destacou-se logo desde o início
- O Pedrinho (PB) logo atrás
- O Tiago (TO) logo atrás do Pedrinho (300 m de distância)
- O João Lima (JL) mais atrás
Ora, não há nada como ver a imagem destes grandes atletas quando o primeiro deles atingiu os 5K (foi o Bruno o primeiro a lá chegar ).
Aqui vai:


Muito público na ponte D. Luiz e passamos para o lado de Gaia.
Chegamos lá deviam ser aí umas 11 horas.
Pela app já sabia que o Bruno e o Pedrinho já por aqui tinham pasasdo e já iam na direção da Afurada e Tiago e João ainda corriam do lado do Porto
Ficamos logo ali na subida para a ponte e, o Jorge Cruz iniciou logo os incentivos a quem passava.
Ok, boa ideia, então vamos todos incentivar.


      Mike, Jorge e Teresinha preparados para incentivarem os atletas e á espera do Pedrinho


Claro, os que vinham da Afurada eram bem rápidos e, esperava pelo Bruno que devia estar mesmo a "rebentar".
De repente o Bruno "aparece do nada", (não o reconheci logo pois vinha com um boné ao contrário), ainda dou um pique para o ultrapassar, páro, viro-me, preparo o telefone para as fotos, aponto e ele passa por mim como em "foguete" .
Foto de frente já não dá, então vai de costas.


                                     Foto traseira ao Bruno, foi o que consegui arranjar 😒

Bom, neste falhei a foto, foi por pouco mas falhei, não posso falhar mais.
De repente sinto uma mão a dar-me uma palmada no ombro.
Era o Serafim Ramos que também ia em bom ritmo.
Não sabia que ia fazer a maratona.
"Boa prova Serafim"
Ok, já sei que o próximo a chegar é o Tiago e coloco-me a postos.
Olhinhos bem abertos e, .........ali vem ele.


                    Ah, desta vez não falhei! Tiago de sorriso aberto ao passar nos 21K 😆

Próximo cliente?
João.
Ok, vou-me pôr de sobreaviso
A camisola amarela berrante não engana.
É ele.


                                       João Lima sorridente e bem acompanhado 😏


Guardo o telemóvel e ainda os acompanho numas passadas.
"Vocês estão com muito bom aspeto", digo eu para levantar a moral (na verdade até estavam)..
Como a conversa não fluiu (o que é natural para quem já leva 21K nas pernas), desejei "boa prova" e lá os deixei continuar o seu caminho.
E, lá estamos nós os três a incentivar quem passa á espera do Pedrinho.
Aviso, "pela app o Pedrinho já está ali em baixo" e, lá vem ele.
Entramos na prova (já não era sem tempo) e, logo aí, Pedrinho dispara "aqui nesta subida vou a pé, não dá para correr"
Ok, ainda agora começamos e já estamos a andar!
Ponte D. Luiz, já estamos a virar para o Freixo, incentivamo-lo e ele logo avisa: "quando chegar aos 30K do abastecimento, vou parar".
Ok, por nós tudo bem, estamos aqui para ajudar.
Entretanto, por iniciativa do Jorge, iniciamos a nossa odisseia de ressuscitar "mortos".
Como toda a gente sabe, numa maratona, aos 30K aparece o dito cujo "muro" no qual esbarramos de frente.
É mesmo verdade, eu que o diga quando fiz esta maratona em 2017 (para mim o muro apareceu aos 32k 😧)
Então, lá iam os "mortos" a andar.
E, com a nossa intervenção, não é que eles ressuscitavam mesmo?
O Jorge dizia-me: "olha aquele, vamos pô-lo a correr"
Mãos á volta do ombro e, umas palavras de incentivo e, ele lá arrancava!
É verdade.
Bastava dizer,"corre senão arrefeces", "corre que ainda tens de ir fazer o almoço", "já falta pouco" e, eu usava "oh pá és muito jovem, mexe-te, tomara eu ter a tua idade".
Ah e, O Jorge tinha uma muito cómica; quando apanhava um "morto" careca como ele, dizia: "Oh careca acompanha este careca".
Incrível, incrível mesmo a quantidade de "mortos" que ressuscitaram!
Jorge aponta para um atleta que está a berrar agarrado a um poste.
Vamos lá.
Está com cãibras e diz que lhe dói muito.
Sentámo-lo no chão e passamos a alongar cada uma das suas pernas.
A dado momento ele diz que já está melhor e largámo-lo pois o Pedrinho e  Teresinha já iam lá longe.
Ao entrar no túnel da Ribeira, Pedrinho pára e diz que está com dores na virilha direita e nos gémeos.
Mando-o sentar e aplico-lhe uma massagem (não sei onde aprendi a dar massagens mas a verdade é que, depois de a ter aplicado, ele disse que estava melhor).
Mesmo ao nosso lado estava um tipo com um megafone que, vendo aquela cena, berrava:" oh Pedro deixa-te de mariquices e corre"
Siga, vamos lá, falta pouco.
Passamos o túnel e já estamos na Alfândega.
Aqui incentivo mais um, tinha aí  1,95m e, depois de começar a correr diz-me ele: "gracias"
"és Espanhol?", digo eu.
"Não, não, sou Argentino, e vim passear para a Europa, vim de Madrid até aqui para fazer a maratona mas, como já não treino há 8 dias, estou muito cansado"
"Ah, és Argentino? Então és do Boca ou do River?"
"Boca, Boca, sempre Boca", diz ele a plenos pulmões.
"Então se és do Boca não podes parar, nunca, não és um rato pois não?"
Ele riu-se e deu-me uma palmada nas costas.
Como te chamas, digo-lhe eu?
Ele mostra-me o dorsal (já estava sem forças para falar) e lá tinha: Fernando.
Fernando? Olha eu também sou (e mostro-lhe o meu dorsal).
Ele ri e volta a dar-me uma "tapa".
Siga.
Pedrinho vai alterando o humor entre bem disposto e "já me custa correr".


          Aqui era a fase do bom humor do Pedrinho. Pudera com companhias destas 😊

De repente Pedrinho vê os bombeiros e diz:
"Spray, spray eles devem ter spray para as minhas pernas"
Paramos todos no Viaduto do Cais das Pedras e Pedrinho senta-se nos rails


                                               Aqui está o spray milagroso

Siga, vamos lá, está quase.
Museu do Carro Elétrico e, aí, mais um abastecimento.
Nós "carregávamos" com as garrafas de água para o Pedrinho não ter peso a mais, éramos tipo "mulas de carga".
Nova paragem para o abastecimento e, toca a arrancar.
A nossa missão continuava: ressuscitar "mortos"
Repito, incrível como uma simples palavra de encorajamento os fazia voltar a correr!
Mais á frente, tenho o único que não aceitou a nossa ajuda: um espanhol (pelo menos falou em espanhol), diz: "tira, tira, tira". Estava a referir-se á minha mão nas costas dele.
Ao passar a ponte Arrábida, Pedrinho vê a barraca dos bombeiros e sai disparado para lá para pôr mais spray
Mais á frente, nova massagem (desta vez nos gémeos) cá dada pelo "je" (ainda vou mudar de profissão!) 😉
Já estamos na Avenida Brasil, um nevoeiro caía e, a meta era já ali ao fundo.
Continuamos a incentivar quem estava a andar (um negrinho não nos largou mais e só se ria e agradecia cada vez que olhava para nós), Castelo do Queijo, edifício Transparente e já estamos a subir para a meta.
Na subida damos de caras com o Daniel no meio da público a gritar por nós.
Meu caro amigo, o teu lugar é na prova não é no público, para o ano tás cá, ok?


                   Pedrinho acompanhado pelo trio de "ajudas" na Rotunda do Castelo do Queijo

Vamos lá, vanmos lá, só mais um esforço e, sempre juntos, sempre juntos, cortamos a meta,


                  Ela aí está, a meta  mais desejada para quem termina uma  maratona

Pronto.
Ponto final.
Para nós foram só 11,9K de ajuda.
Fácil, não é?


                              Pedrinho e dois dos seus "ajudantes de campo" 😎

Recolhemos a medalha, camisola e demais "lembranças".
Teresinha deu a medalha e a camisola á filha do Pedrinho e eu dei tudo ao Jorge.
A medalha era linda, linda, gostava muito de a ter mas, só merecendo-a, não é?


           Aqui a equipa completa: O medalhado e os "outros", os carregadores de piano 😊

Pedrinho como veio muito cedo arranjou lugar para o carro logo ali na primeira bomba de gasolina na Circunvalação á saída do Queimódromo.
Mudar de roupa e rumar para casa para o banho retemperador.
Vinha no carro e o meu pensamento era um só:
"Não, para o ano faço mesmo a maratona.
Tem de ser.
Dê para onde der.
A partir de julho.2020 é treinar com um só objetivo.
Gostei de ajudar?
Gostei.
Mesmo.
Mas, não é a mesma coisa.
Não.
Maratona do Porto de 2020 é para mim.
Tem de ser"
Vou cumprir a promessa?

Finalmentes,
Terminaram a prova 3895 atletas
- Pedrinho, tempo de 04:24:37, lugar 2697 da geral
- Bruno Antunes, tempo de 03.15.17, lugar 366 da geral
- Serafim Ramos, tempo de 04:30:02, lugar 2879 da geral
- Tiago Martins, tempo de 04:30:24, lugar 2925 da geral
- João Lima, tempo de 05:31.18, lugar 3815 da geral

Apreciações:
- Pedrinho mesmo cansado (tinha feito um trail de 100K, 15 dias antes) faz um bom tempo tendo apenas quebrado nos últimos 12K 🙌
- Bruno Antunes, o meu PT que me tem poupado ás lesões musculares, com incrível força física, faz um tempo canhão (confidenciou-me que chegou ao fim de gatas) 🙌
- Serafim Ramos continua a correr muito e, bem 🙌
- Tiago Martins com um tempo espetacular para a sua primeira maratona (tem de abrir uma garrafa de champagne) 🙌
- João Lima, este grande atleta de incrível força mental, consegue terminar uma maratona após ter tido um acidente (queda) e, ter estado parado! Bravo 🙌

E eu?
E a Teresinha?
Ah, para o ano esta crónica vai ser bem diferente, vai.

Vencedor:  Deso Gelmisa (Etiópia), tempo de 02:09:06
Vencedora: Bontu Bekelegada (Etiópia), tempo de 02:33:36

Melhor português: Carlos Costa, tempo de 02:11:56, lugar 7 na geral
Melhor portuguesa: Roda Madureira, tempo de 02:49:53, lugar 51 na geral

Igualmente com a maratona, em simultâneo, realizou-se a Family Race de 15K
Leninha, apesar de ter estado últimamente com dores nas costas e ter andado em tratamento, decidiu participar.
Arriscou um pouco pois, 15K sempre são 15K , não é?
É uma prova interessante que decorre principalmente em Matosinhos e descola da maratona na Rotunda do Castelo do Queijo.


                               Leninha em pleno esforço ao lado dos "positivos"

Resultados,
- Leninha, tempo de 01:44:51, lugar 2026 da geral
- José Esperança, tempo de 01:57:09, lugar 2173 da geral
- Pedro Esperança, tempo de 01:27:23, lugar 1042 da geral
- Angelina (Zélia) Ferreira, tempo de 01:11:43, lugar 254 na geral
- Rosa Ferreira, tempo de 01:22:05, lugar 726 na geral

Apreciações:
- Leninha, como acima disse, arriscou correr sem estar preparada e, mesmo assim termina
- Zé Esperança não pára de nos surpreender; este jovem atleta está para durar 💪
- As "gazelas" gémeas Zélia e Rosa também marcaram presença. A Zélia com um tempo super "canhão" (muitos parabéns) e, a sua irmã Rosa, apesar de adoentada, também faz um excelente tempo (como sempre) 👍



E pronto.
É tudo.
bjs e abraços

MIKE
2019.novembro











quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Skinfit meia maratona Bregenz - organização exemplar



Sexta, 4 de outubro
Logo pela manhãzinha, Porto - Zurich de avião.
A primeira etapa estava feita.
Agora entrar no comboio e só sair em Bregenz.
Bregenz?
Mas, onde é isso?
Pois, é uma cidadezinha na Aústria a sul do lago Constança.
Ok, mas alguém já ouviu falar deste lugar?
Ok, .... ok,.... vamos lá ajudar com o mapa para localizar,



                                Aqui está o lago Constança, para os locais, é Bodensse


Hotel e vamos lá conhecer o lugar.
Estava um frio de morrer e uma chuvinha "molha tolos"
Ora, andar bem agasalhado e entrar em qualquer local com uma elevada temperatura, dá,........., é isso mesmo, dá logo constipação.
Bom, mas ao que viemos?

                             Aqui está o cartaz da prova(s) com as bandeiras dos 3 países

Ora bem, tínhamos 3 provas no domingo e, estávamos inscritos na meia maratona.
Esta prova é sui generis pois, a maratona percorre 3 países (Alemanha, Aústria e Suíça) e a meia maratona dois (Alemanha e Aústria).


sábado, 5 de outubro
Ora, os dorsais eram levantados na cidade alemã de Lindau, local onde seria dada a partida da prova.
Assim, fomos de comboio até lá (escassos 11 minutos).
O Run Expo Forum estava muito bem fornecido de atividades, tudo muito bem organizado.
Comprei novo boné (pretinho) e, já com os dorsais na mão, a foto da praxe,


                             Com dos dorsais da Skinfit prontinhos a serem usados amanhã

A constipação não me largava apesar de estar a ser medicamentado pela Teresinha (não me perguntem, o que era pois, eu só tomava o que ela me dava sem olhar para o medicamento😁 )
Passeamos por esta bela cidade toda restaurada e muito bem conservada, andamos a "inspecionar" o local de partida (muito bonito na marina) e, só o tempo não ajudava com chuveiros constantes.
De abalada para Bregenz, jantar (massinha como de costume) e, vamos lá descansar que amanhã temos de "dar á perna".


domingo, 6 de outubro,
Enquanto uns se preparavam para irem votar nas legislativas (nós, como bons cidadãos não nos esquecemos e votamos antecipadamente), outros levantavam-se para tomarem um pequeno almoço condizente com o esforço que iriam ter nesse dia.
Sala do pequeno almoço do hotel cheia de atletas (este hotel estava a 3 minutos da linha de chegada) e, alguém me pergunta, "portugueses?"
- Sim
- Ah, ouvi você dizer Teresinha e vi logo que tinha aqui alguém para conversar. Sou brasileiro, trabalho em Londres para o Governo Federal e vim aqui só para correr a maratona
- Ah, ok, nós somos mais modestos e corremos só a meia
Este foi o início de conversa com o tal dito cujo brasileiro que ainda estava com dúvidas como ir para a partida.
Então, a partida era na ilha de Lindau na Alemanha.
Para irmos para lá tínhamos duas hipóteses: ou de comboio ou de barco.
A organização tinha indicado o horário de partida de cada um dos transportes (grátis).
Optamos pelo barco pois era mais divertido navegar no lago e entrar na marina de Lindau.
Assim foi.
O frio era mais que muito (9 graus) e decidimos ir embrulhados no habitual saco de lixo (somos prevenidos, não somos?)
Sair do hotel e ir para o local de embarque foram 4 minutos numa corridinha lenta para aquecer.

                   
                               À entrada do barco que nos iria levar para a ilha de Lindau

Barco só para atletas e, numa travessia de 20 minutos, já estamos em Lindau.


             A entrar na marina com o leão por estibordo, símbolo da cidade em destaque

O frio era imenso e, só umas corridinhas nos aqueciam um pouco.
O ambiente já era de festa (tinha lá um grupo rock a cantar) e grande azáfama.
A maratona partia ás 10H30 e a meia e relay de maratona ás 11H15
Á volta de todas as caixas havia vedação e a entrada era só feita pelo fundo da última caixa.
Entrados, tínhamos as caixas marcadas mas sem vigilância, ou seja, cada um ocupava o seu lugar.
Tudo muito ordeiro e tranquilo.
Assistimos á partida da maratona e, a adrenalina começa a aumentar.
Sentia-me bem apesar de ter o nariz tapado pela constipação.
Bom, então que itinerário nos esperava?


                            Itinerários de maratona e meia (meia ia só até Hard)

O Rock cada vez mais alto cantado pelo tal grupo, a hora a aproximar-se, sacos de lixo para o balde e, mesmo antes de partir, a tal fotinha,


          Apesar do frio, Teresinha e Mike prontos para irem da Alemnha á Aústria a,.... correr

Este local é mesmo deslumbrante!
Mesmo muito bonito, querem ver?


                            E, nós ali no meio da multidão á espera do tiro de partida

E, chega a hora: 11H15
Partida.
Aí vamos nós.
Ainda fazemos 1K na ilha e já estamos a atravessar a ponte.


                                                 A ilha de Lindau já a ficar para trás

Durante o percurso na ilha temos muita gente a incentivar o que nos ia aquecendo a alma.
Estamos agora a correr entre o lago e o caminho de ferro.


                                           Sempre na marginal do lago

Vamos bem.
Até acho que estou um pouco entusiasmado e vou depressa demais para quem não tem treinado muito e ainda por cima está constipado.
Siga,
Aos 4K já temos abastecimento.
Ah, lá estão os copos.
Detesto copos.
Além de estarem só meio cheios (ou meio vazios conforme o nosso olhar), dá pouco jeito correr e beber apesar de já ter aprendido a fazer um vínculo no copo para beber.
Enfim,...
Agora estamos com muito menos público a assistir.
Vou olhando para o lago e ainda tenho tempo para me deleitar com a paisagem.

               

K5 em 28:09
Tudo bem até agora.
K6 com placa de indicação que acabamos de entrar na Aústria (então, não mostramos os passaportes?)
7, 8, 9 e no K10 e já estamos em Bregenz em 57:00
Estava frio, lá isso estava mas, aqui já ia a "ferver" por todos os lados.
Como o nosso hotel era mesmo ali, ao passar por aqui até parecia que estava em casa.


                                K10 em Bregenz mesmo em frente ao nosso hotel

Ah, vamos passar pela frente do teatro do lago mas conhecido por Rigoletto?
E, é que vamos mesmo!


                 Passamos por baixo das bancadas e percorremos a frente do teatro do lago

Só uma nota: aqui em Bregenz em agosto e setembro há um festival de música e teatro realizado no palco da imagem acima que está situado dentro do lago.
Hoje, tínhamos esta cabeça com aqueles olhos arregalados a olhar para nós 😃
Agora entramos numa zona de mais vegetação e, passamos a "apanhar" alguns percursos de terra.
Setas obrigam agora os atletas da maratona a seguirem pela esquerda e os da meia maratona seguem em frente.
Aí por volta do K12 já começo a sentir que a disponibilidade de pernas já não é a mesma.
Ok, tranquilo, o importante é acabar.
Ultrapassada esta zona de muita vegetação (sem público), passamos agora a correr numa zona toda verdejante, de quintas agrícolas com as vaquinhas a pastar.
São aquelas típicas paisagens bucólicas de uma silêncio, como dizer, um silêncio ensurdecedor pois só se ouviam o bater das sapatilhas no piso e os passarinhos.
Nunca tinha corrido num ambiente destes!

                                   

                                     Teresinha e Mike no meio da vegetação em boa passada

Ah, os abastecimentos continuam de 4 em 4K e com muita qualidade.
Estamos em Hard, K15 em 01:28:02
Aqui no abastecimento páro mesmo para poder beber três ou quatro copos em vez de um.
Estamos a atravessar um rio e, aqui já começo a pensar que "ainda falta muito".
Não é bom presságio pensar assim mas, as pernas já pesavam e já me custava respirar pois tinha o nariz bem tapado.
"Aguenta, aguenta, já falta pouco", dizia-me a Teresinha.
Já estamos de volta a Bregenz e estou a sentir que estou a ser passado por atletas mais rápidos.
Psicológicamente não ajuda nada mas, nem sempre podemos ser nós a passá-los, não é?
Ok, já estamos a 1K do Estádio Casino Bregenz onde terminaria a prova e o público já é mais que muito e extremamente ruidoso principalmente os que tinham chocalhos.
Só mais um esforço (e que esforço para mim!), que já estou a ver o Estádio,

     
                     Mike em esforço e Teresinha (como sempre) a "brincar" com o tal esforço

Mais e mais público e, já estamos a entrar no Estádio.



                                       Últimas passadas para completar a prova

E pronto.
Já tááááááááá .........
Uff, estava-me a custar estes dois últimos K
Medalha e, somos encaminhados para a zona de abastecimento final.
Nunca vi tal!
Travessas e travessas de fruta (laranja, tâmaras, maçã, uvas, eu sei lá que mais...), água, chá, café, isotónico, cerveja, barras, enfim, tudo o que possam imaginar estava lá.
Fartei-me de comer tâmaras de tão deliciosas que eram.


      Então, já viram bem a quantidade e qualidade de alimentos ali á nossas disposição!

Estava cansado?
Estava mas, aquele suplemento, naquele momento, soube-me pela vida!


                               Nós e elas (as medalhas) ganhas com muito suor



                                      Vista geral do estádio Casino Bregenz


A medalha era gira?
Era, comprovem,



Antes dos finalmentes, dizer que foi a prova mais bem organizada em que participamos até agora.
Sem dúvida alguma.
No final até tinham camiões TIR só para os atletas tomarem banho.
Ah e esta era mesmo plana.
A ida do final ao Hotel foram escassos 3 minutos o que dá muito jeito depois de um esforço daqueles.

Finalmentes,
Terminaram a prova 2329 atletas
- Teresinha, tempo de 02:08:54, lugar 1710 na geral e, no seu escalão (F60), lugar 9 em 23
- Mike, tempo de 02:08:54, lugar 1709 na geral e, no seu escalão (M60), lugar 50 em 70

- Vencedor: Nando Baumann com o tempo de 01:09:55
- Vencedora: Michéle Gautner com o tempo de 01:15:46

Ah, ainda antes do ponto final.
Eu bem digo que tenho amor-ódio com a meia maratona do Porto.
Apesar de nesta prova não ter feito um bom tempo, sempre foram menos 08:40 que na meia do Porto!
Tenho de resolver este problema, ai tenho, tenho.

E, é tudo
Bjs e abraços
MIKE
2019.outubro
















terça-feira, 24 de setembro de 2019

13ª Meia maratona Porto - será relação amor versus ódio ?


Alvorada ás 6 da manhã.
Para um domingo não está mal, não.
O outro diria, "se fosse para trabalhar não se levantava tão cedo !"
Pois, mas como quem anda por gosto não cansa, não é?
Afazeres normais para quem se prepara para mais uma prova.
Leninha e Diogo fora do país e Pedrinho ainda (de certeza) estendido na sua caminha a recuperar do dia anterior pela "brutal" prova que tinha feito.
É, tem-se dedicado mais ao trail e desta vez, debaixo de um temporal, andou a "galgar" a serra D'Arga. "Só" foram 52,77k em 10:07:32 👍
Esse seu feito merece uma postagem. Aqui vai,



                                   Grande foto do Pedrinho no meio da imensidão da serra D'Arga

Passemos á frente senão ainda fico a pensar que meia maratona não é mesmo nada.
Bom, arrancamos ás 06:55 e passados 15 minutos já estávamos estacionados no local do costume (perto do Ipanema Hotel ali mesmo no Fluvial).
Então, o que nos esperava desta vez?

- 13ª meia maratona Porto
- domingo, 22 de setembro.2019
- 09H00



                         O bonito cartaz a anunciar a meia maratona do Porto

Este ano a organização alterou a prova para iniciar ás 09H00 e não ás 10H00 como habitualmente (de certeza que o turismo "obrigou").
Lá estavam os autocarros todos perfilados para nos levarem até á Ponte do Freixo onde iniciaria a prova.
Verdade se diga que muito confiante não estava pois, por artes do diabo, nesta prova que tanto gosto de fazer, acontece-me sempre algo que me impede de "rolar" normalmente.
A ver vamos.
Ah, quando me levantei fui até á rua para sentir a temperatura. E, não é que estava mesmo frio!
Ainda hesitei mas levei vestida a camisola interior térmica.
Ok, lá fomos aquecer, cruzamo-nos com vários colegas de treinos (da quarta feira na Maia, apesar de já há muito tempo não irmos) e o sol apareceu.
Ui, já estou  transpirar por todos os lados. Teresinha logo sugeriu para tirar a térmica (e, as mulheres só "sugerem", não é?) e, claro, portei-me como um homem de H grande: obedeci de imediato 😄
Amarrei-a á cintura e, lá ia carregar um peso que não estava nos planos.
Adiante.
Caixa de partida (demos de frente com o Pedro Gaio) e, a fotinha do costume,


                O sol já apertava (e houve um inteligente que vinha de camisola térmica vestida !)

Entretanto o speaker anuncia:
Hoje o mais experiente tem 79 anos e a mais experiente 67!
Tá bem, tá, quem me dera chegar a essa idade e correr ainda.
Bom, topo uma máquina fotográfica preparada para dar um flash e, qual emplastro, decido também ficar na foto.
O interessante é que o Pedrinho encontrou essa foto e ma enviou,


                                    Quem são?  Não sei, mas o emplastro estava lá.  😋

Ah, o que nos esperava?





Tiro de partida e, aí vamos nós.


                                            A partida na ponte do Freixo

Vamos a rolar normalmente e, já estamos ao lado do Tiago Martins.
"Oh, por aqui ao lado destas lesmas?"
"Ando a treinar para a maratona, quero ver se consigo fazê-la a 6m/k. Hoje vou tentar fazer a 5.30m/k"
"Então, siga que este andamento não dá para isso"
E lá foi o nosso amigo, desaparecendo no meio do pelotão.
Já tamos no K3 á entrada da Ponte D. Luiz (é com Z que se escreve, é).
Ao atravessar a ponte, nunca tinha sentido o tabuleiro a vibrar tanto! Até parecia que ia cair.
Já estamos em Gaia e o ritmo continua normal.
K5 com 29:00, ou seja, muito calmo porque ainda falta muito.
De repente lá aparecem aquelas lebres já de volta (tinham feito o retorno aos 8k), só com negros na frente.
Muito distante lá apareceu o Rui Silva que ia sózinho, até comentei com a Teresinha "era melhor esperar por alguém para ter companhia porque custava menos"
Bom, já tínhamos tido um abastecimento, Ponte Arrábida, Afurada, ligeira subida e estamos no retorno.
Aí, até parece que senti um balão a esvaziar.
É verdade.
De repente, senti que estava, como dizer, mole, mole, aliás, derretido.
Já?
Como é possível?
Não quero acreditar nisto.
Esta prova tem algo contra mim.
Ai, tem, tem.
Bom, pensei cá para os meus botões: "baixa o ritmo, aguenta aí uns 2K e vais ver que passa".
Claro, a Teresinha estava perfeita e perante esta lesma, incentivava-me mas, desta vez, não ia lá com incentivos.
K10 (com 59:15) e, bem esperava este morto por ressuscitar e, ................. NADA.
K13 em cima da Ponte D. Luíz, passamos para o Porto e virar á direita para o Freixo.
Já estava completamente derretido, parecia plasticina 😒
No retorno (aos 15K) tínhamos abastecimento.
Aqui, parei, levei á boca três pedaços de laranja, bebi água e isotónico e, andei aí uns dois minutos.
Foram dois minutos que pareciam duas longas horas!
Só me apetecia estender no chão, fechar os olhos e,..................... "morrer" ali.
Não, isto não pode ser assim, a minha cabeça tinha de vencer o meu corpo.
Meti na cabeça que tinha de terminar.
Isso não tinha discussão possível.
Ok, lá arranquei (nem sei como) e, pronto, lá fui em passo de lesma até á meta.
Ainda passa por nós o Serafim (não tinha dorsal e ia a acompanhar uma amiga), tento acompanhá-los mas,................ nada.
De repente tenho á minha volta os comandos que fizeram a prova de calças e botas!


         Mike é mesmo um grande ator! Ia todo derretido e aqui a disfarçar para o fotógrafo 😁

Até a camisola térmica que levava á cinta cheia de suor me pesava toneladas!
E, foi assim.
Em frente ao Museu do Carro Elétrico ainda tivemos uma mangueirada dos bombeiros (que bem que me soube mas, nem isso deu para me acordar)
Sempre em esforço, até ao esforço final.



                           O esforço final da Teresinha e o arrastar de um morto-BiBo 😞

É.
Só pode.
A minha relação com esta meia maratona é mesmo de amor versus ódio.
Amor porque adoro correr na minha cidade, num cenário mesmo lindo.
Ódio porque, nas 24 meia maratonas que fiz até agora, as piores 2 de sempre, foram no Porto!
Siga, tem de ser assim e, depois de me passar a cabeça, ou antes, a grande cabeçorra com que fiquei após a prova, agora só quero que a próxima chegue rápido, muito rápido (é mais uma meia a 6 de outubro em Bregenz na Aústria).

Bom, finalmentes,
- terminaram a prova 3790 atletas
- Teresinha, tempo de 02:17:33, lugar 3302 na geral e, no seu escalão (F60), lugar 9 em 20
- Mike, tempo de 02:17:34, lugar 3303 na geral e, no seu escalão (M60), lugar 120 em 142
- Tiago Martins, tempo de 01:56:53, lugar 2156 na geral

- Vencedor: Maxwell Rotich (Uganda) com 01:01:14
- Vencedora: Antonina Kwambai com 01:09:42

Lembram-se do tal atleta experiente de 79 anos.
Pois é, aqui vai o tempo dele: 01:50:32
Nome: Óscar Loureiro
Bem o conheço, no treino de domingo de manhã na Foz cruzamos sempre por ele.

Como curiosidade, esta prova foi ganha ao sprint,


                    E, por meio metro se ganha e por meio metro se perde, não é?


E, como um mal nunca vem só, para terminar, vamos lá á odisseia do nosso amigo Silvério Pinto nesta prova.
Conta-me ele:
" Ao chegar ao K8 no retorno dá-me uma dor muito forte na perna que me impede de correr.
Ainda vi vocês a passarem por mim e, vou aos bombeiros.
Só tinham gelo e, mesmo assim não passou.
Então pensei: vou forçar a ver se passa.
Só consegui correr até á Afurada.
Aí, as dores eram tantas que parei mesmo.
Como levava dinheiro comigo, fui ao barco para fazer a passagem para a margem direita do rio.
Digo ao tipo do barco: "vou de barco para chegar primeiro á meta" (a meta era mesmo em frente do outro lado do rio).
Responde-me ele: não vai não, porque eu já vi daqui os pretos a cortarem a meta.
Atravessei o rio e fui-me embora.
Isto hoje até parece aqueles programas de TV das tardes onde é só desgraças.
Fujam, fujam.
Para terminar a cores e não a preto e branco, terminamos então com a medalha desta prova,




Terminamos?
Não, agora ainda temos uma notícia do Jornal de Notícias dando conta desta prova.
E, que tem de interesse essa notícia?
Interesse não digo mas, lembram-se daquele emplastro desta prova?
Pois ele apareceu no fim da mesma! 😆


                                                 Emplastro sempre no ativo 😁


E, agora, é mesmo tudo.
Bjs e abraços
MIKE
2019.setembro













sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A meia entre Buda e Peste



A 5 de setembro (quinta feira), levantamos cedo e rumamos ao Aeroporto do Porto.
Estavamos na fila para a habitual revista e damos de caras com os nossos amigos Sanfins.
Mas que coincidência!
Nós, lá íamos preparados para, mais uma vez, dar corda ás sapatilhas e, suarmos na estranja; eles (os homens), preparados para se sentarem nas bancadas de Monza para apreciarem os bólides de F1 e, o elemento feminino preparado para passear pelas ruas de Milão e arredores.
Bate papo para fazer horas com um pinguinho para acompanhar,


                  Com os nossos amigos Sanfins (a Lagartixa também não faltou 😁)

Despedidas feitas e, cada qual para o seu destino.
Ah, e qual era o nosso destino desta vez?


As hipóteses são muitas, não são?
Pois, mas desta vez aterramos em Budapeste.
Chegamos com tempo quente, viagem no BUS 200, metro e hotel.
Já não estávamos habituados a fazermos contas ao câmbio e, aqui, é só contas de cabeça.
O florim vale pouco e, tudo custava milhares!
Visita á cidade na sexta (é imponente, muitas obras de reconstrução, muitos sem abrigo e, muito turismo e ainda se nota bem a pobreza do antigamente).
Ok, passemos á frente que o nosso "trabalho" é outro.
Ah, mas afinal o que nos trouxe até cá?

- 34ª Wizz Air Budapeste Half Marathon
- domingo, 8 de setembro
- 8 horas

Sábado lá fomos levantar os dorsais ao local de partida.
É uma Universidade (Eotvos Lóránd University) que fica em Buda (margem direita do Danúbio).
Aí chegados, entramos no átrio da tal Universidade e, ficamos admirados pois só tinham uma banca para entrega de dorsais, a habitual feira, .......... nada.
Ok, é assim, assim seja.


                                  Teresinha e Mike exibindo os seus dorsais da meia de Budapeste

Deram um saco plástico (!) com os dorsais e a camisola.
Camisola fraquinha, fraquinha.
Á saída tínhamos de passar o chip do dorsal numa máquina que acusava num ecran o nosso nome.
No amplo jardim, apenas quatro tendas referentes á prova.
Mas, isto é mesmo assim?
Nunca vi nada tão pobrezinho mas, siga.



                     
Á noite fomos jantar a nossa habitual pasta ao Vappiano (cadeia italiana), restaurante que muito apreciamos, mesmo junto ao nosso hotel.
E, quais as expectativas para a prova?
Dizer nenhumas é uma exagero mas, eram bem poucas.
Depois de um mês de agosto a levantar bem cedo para treinar (para fugir ao calor), eis que sinto uma dor na coxa direita que me deixa impossibilitado de correr. E, isto a 15 dias desta prova.
Lá fui eu ao Paulinho que, com as suas mãozinhas milagrosas me tratou, dando-me o veredito para  a tal dor: mialgia de esforço.
Pois, aumentamos a carga e, o músculo cedeu.
Ok, paragem total de 8 dias, tratamento e, vamos lá ver se dá para fazer a meia de Budapeste.
A verdade é que recuperei rápido mas, parti para esta prova com apenas dois treinos (curtos).
Ah, agora com o aumento da carga tenho de espaçar mais os dias de treino para poder recuperar. É a vida,........... quando se vai pra velhinho, temos de ter mais cuidado, não é? 😜
Portanto, depois de todo este "relambório", que esperar da prova?
Fácil: apenas terminar.
Só isso.
Ir nas calmas, desfrutar e, pensar só em terminar.
Ok.
Ah, nesta prova, tínhamos, digamos assim, três tipos de concorrentes:
- os que faziam a meia maratona
- o chamado relay de 2, ou seja, dois atletas, em estafeta, faziam 10,5k cada um
- relay de 3, ou seja, três atletas, em estafeta, faziam 7k cada um
Vamos lá descansar pois, como a prova inicia ás 8 horas, temos de levantar bem cedo.
E levantamos: 5horas e 25 da manhã!
Comer o habitual, dar tempo para ir á sanita (quem corre sabe que é bem necessário e alivia física e psicológicamente) mas, desta vez, bem me esforcei mas, não consegui.
É, não consegui fazer aquilo que só eu posso fazer por mim.😊
Bom, deve ser de ser tão cedo ainda.
Bom, vamos lá então.
Logo á saída do hotel tínhamos a paragem do tram. Já lá estavam os nossos colegas de corrida e, claro, aconteceram logo, como dizer, aquela troca de olhares, tipo "ah, tu também vais correr?".
Lá aparece o 4 e, num ápice, fica completamente cheio de atletas.
15 minutos de viagem e estamos todos a saír após a ponte Petoli Hid (ai, gosto é destes nomes em húngaro 😏)
Amplo jardim e já estamos na partida.
Ah, como é possível?
Ontem apenas quatro tendas aqui, hoje temos "n" tendas implantadas neste jardim!
Grande ambiente e lá fomos guardar o saco no guarda roupa.
Mas, o que nos esperava?


                           Aqui temos o itinerário entre as margens do Danúbio


Lá fomos aquecer e, ok, sentia-me bem, levezinho, apenas tinha uma preocupação: na casa de banho
nada fiz, vai-me dar a vontade na prova?
Enfim,.....
Lá fomos aquecer e entramos na nossa caixa (a nº3 com tempos entre 5:30 e 6:00m/k)


                                     Cá estamos nós prontos para mais uma meia

Bem estive atento mas não encontrei ninguém a falar português.
A caixa fica cheia e a hora aproxima-se.


                                             Para descontrair, uma makakada 😏

8 horas.
A partida é dada por fases, entre as caixas com dois minutos de espera.
Aí vamos nós.
Temperatura de 16 graus e céu nublado.
Bom, mesmo bom para correr.
Começamos nas calmas, sem stress.
Margem direita do Danúbio em ritmo bem confortável.


                  Logo, logo, depois da partida, curva á esquerda para a margem do rio Danúbio

Já ao K4 tínhamos abastecimento: água a copo!
Irrita-me esta água a copo. É difícil de beber em corrida e desperdiçamos muita água mas, tudo bem.
K5 já esta.
Olho para o relógio e vejo, 28:58
Ah, afinal está a correr bem.
Tudo dentro do normal.
Bandas de música iam dando ambiente e festa.


      Não faltava animação (e, nesta foto fomos "apanhados" de costas) 😃

Público?
Até agora, muito pouco.
Razões: quem se levanta ás 8 da manhã para ver uma corrida?
E, mais: estávamos a correr mesmo junto ao rio numa cota inferior á estrada dita normal.
Fiz-me entender?
Não?
Ok, então aqui vai uma foto para entenderem,


                           Prova práticamente sempre á cota mais baixa junto ao rio Danúbio

Siga.
K10 aparece rapidamente e continuamos a andar nas calmas.
Tempo: 58:28
Muito bem para quem esteve lesionado não tá mal e, o músculo continuava ok.
Ah, uma cena interessante: na passagem do testemunho do relay2, vinha um dos atletas com o dorsal na mão para o passar á sua colega e, esta , logo que o viu, em vez de correr ao seu lado para agarrar no dorsal, correu de frente para ele! Resultado? Choque frontal e quase que se espalhava no chão!
Bom, já estamos na ponte Margarida para passarmos para a ilha e, aí já temos moldura humana.
Ah, de repente sinto uma coisa estranhíssima: passavam por mim atletas a "alta" velocidade.
Como é possível? Então, vimos aqui todos no mesmo ritmo e aparecem este ovnis a 100 á hora?
Só depois é que me lembrei. Ah, só os fresquinhos do relay2 que iniciaram agora e vão com o "fogo no rabo".
Esta ilha no meio do Danúbio é só jardins e para aqui vêm muitas famílias para lazer e é o local de exercício físico.
Volta á ilha (sempre com abastecimentos de 4 em 4K agora com água, banana, bebida isotónica e queijo), nova ponte e já estamos na margem direira do Danúbio.
Sentia-me mesmo bem que até dava para desconfiar.
Levei várias vezes a mão ao bolso, sentia o meu gel e pensava: "queria mesmo tomar mas, será que me vai dar volta á barriga?". É melhor jogar pelo seguro. Não tomo.
K15 com 01:28:12
Na margem direita já estamos em Peste.
K15, 16, 17 (ao passar na ponte mais famosa de Budapeste, a chamada Ponte das Correntes) e, continuava sempre com o mesmo ritmo.
Continuava, dizia eu.
Pois é.
A partir do K18 senti logo as pernas mais pesadas.
Ah, isto estava a correr tão bem!
Ok, nada de stress, vamos terminar que é o mais importante.
Ainda olhei (e ouvi) bem para a música que nos era dada para ganhar energia mas, ........ nada.


                                           Eles bem puxavam por nós

Atravessar a ponte para Peste novamente e já estamos na reta da meta.
Ainda consegui acelerar um pouco (o baú das forças ainda lá tinha uma réstia de energia), e pronto, já tá.
Grande túnel depois da meta e recebemos medalha, garrafa de água de 1.5 litros (nunca me tinham dado uma garrafa tão grande!), bolachas, barras energéticas,"n" brindes.


                                                  Mais uma para a coleção 😅


Lá fomos mudar de roupa e, reparei numa curiosidade: muitos atletas tinham vindo para a prova de bicla.


                              Depois de correr no asfalto, pedalar (não era para aquecer, não)

Estranhamente (ou não), estava mesmo bem: nada me doía e a mialgia da perninha não apareceu.
Ah, e a medalha é bem bonita.
Aqui vai,

                                                    Muito suor para conquistar esta linda medalha


Tram novamente (repleto de atletas) e, já estamos no Hotel para um retemperador banho.
E pronto.
É tudo.
Tudo, é como quem diz, faltam os finalmentes.

- Terminaram 5048 atletas
- Teresinha, tempo de 02:06:38, lugar 3571 na geral e no seu escalão, W60, 9º lugar
- Mike, tempo de 02:06:40, lugar 3572 na geral e, no seu escalão M60, 70º lugar

Descobri que afinal não éramos os únicos portugas na prova.
Assim, correram 26 portugas, tendo a Teresinha terminado no lugar 18 e Mike no lugar 19
A esmagadora maioria pertencia ao grupo "Correr Lisboa"
- Vencedor: Loran Cheruiyot do Quénia com 01:04:56
- Vencedora: Zita Kácser da Hungria com 01:14:47
Agora sim, agora é tudo.
Vamos lá treinar (muito) para a meia do Porto a 15 de setembro.
Bjs e abraços para todos
MIKE
2019.setembro