quarta-feira, 7 de novembro de 2018

15ª Maratona Porto - quem tem amigos não morre na cadeia


5 de novembro de 2017
Data marcante.
Pela primeira vez corri uma maratona.
O local não poderia ter sido outro que não o Porto.
Após a ter terminado, lembro-me muito bem, ter tido a "certeza" que não me meteria noutra empreitada como essa.
Passado um mês, já estava inscrito na maratona do Porto de novembro de 2018 😊
Estava eu, Teresinha, Pedrinho e Diogo.
È, na hora da verdade, o "vício" supera o sacrifício.
Mas, o problema que tive a partir de agosto com o meu tendão de aquiles (esquerdo), não me permitiu treinar para fazer 42K.
Já estou muito melhor, temos feito a meia sem problemas mas, ainda não dá para duas meias seguidas.
A maratona de 2017 ensinou-me (seria preciso?) que, para correr uma maratona temos de estar mesmo bem preparados, não dá fazer de conta que treinei e, chegar lá e, correr normalmente.
Leninha e Diogo, aspas, aspas, por motivos diferentes não conseguiram treinar convenientemente.
Fomos todos inscritos pela Marmedsa (isto de ser reconhecido mundialmente dá aso  a que as equipas se degladiem para nos terem nas suas fileiras, não é?).
Tentei junto da Runporto passar as nossas inscrições para a Family Race (prova de 15K que é simultânea com a maratona) mas, o pedido foi negado pois não o fizemos com o mínimo de 30 dias de antecedência do dia da prova.
Então, quem nos restava para nos "representar"?
Pedrinho, sim esse mesmo.
Pedrinho não brinca em serviço (nem tem lesões), treinou afincadamente para esta prova. Era a sua terceira maratona e todas no Porto.
Então, qui fari?
Bom, a decisão foi a seguinte:
- Leninha decide partir na boxe da Family Race e fazer os 15K dessa prova (como tinha dorsal da maratona, não irá constar nos resultados finais)
- Diogo devido aos seus novos afazeres profissionais, nesse dia está de serviço e, claro, não participa.
- Mike e Teresinha decidem ir ajudar o Pedrinho a fazer os últimos 15K para tornar mais "suave" a parte final e tentar puxá-lo para um grande tempo
Pronto, tudo decidido.
Pedrinho levanta todos os dorsais na sexta.
Mas, antes de domingo, temos sábado, certo?
E, no sábado, na Alfandega do Porto tínhamos a entrega dos dorsais e umas conferências sobre atletismo.
João Lima foi convidado pela organização para fazer uma conferência sobre a "evolução da maratona em Portugal".
João, a quem eu tenho o prazer de conhecer, é um homem que se dedica á divulgação do atletismo, tendo, além de outras úteis informações, um site onde "acumula" todas as provas portuguesas com os respetivos resultados.
É incrível como o consegue fazer aliando essa informação á prática do atletismo.
Bem posso dizer que esta homenagem está mesmo muito aquém do que realmente merece, embora o reconhecimento e agradecimento da esmagadora maioria de atletas (quem não conhece o seu site?), seja para ele, tenho a certeza, a sua verdadeira medalha.
Grande abraço João e Bem Hajas.

       
                    O nosso amigo João Lima (ao centro) durante a sua exposição

Já estamos no dia D, ou antes, dia M de Maratona.
Domingo, 5 de novembro de 2018
Como dormi descansado!
É verdade, nas noites anteriores a provas (e então da maratona nem se fala!), não consigo dormir, apenas dormito.
Desta vez, dormi como um justo!
Só acordei com o despertador.
Pequeno almoço tomado e, desta vez, eu e Teresinha fomos de metro para o Porto:
Já tinha instalado a aplicação da maratona do Porto no meu telemóvel e já estava a ver onde ia Pedrinho pois já tinha iniciado a prova.
Saímos então de metro ás 10:06 e chegamos à Trindade ás 10:36
Já chovia e, para aquecer, fomos a correr (soft), até à Ribeira.
Lá chegados, pelo telemóvel, verifico que Pedrinho já ia do lado de lá em Gaia.
Muita gente mesmo ali na Ponte D. Luiz, atravessamos para o lado de lá e ficamos no cais de Gaia á espera do Pedrinho.
Eles, os atletas, iam passando e cada vez mais sentia aquela nostalgia de não estar ali a "sofrer" com eles.
Enfim, para o ano temos mais, não é?
Encontro o Mário Costa.
"Então, por aqui?"
"É, eu, o Luis Almeida e a Maria do Carmo Loureiro viemos com o Pedrinho desde o Castelo do queijo (K12) até aqui (K21)
Agora vamos descansar e vamos apanhá-lo ali á entrada do Túnel da Ribeira (K33)"
"Ah, nós também estamos á espera dele par o levar-mos ao colo até á meta.
Então, até já", respondo eu.
Alongamentos, pequeno aquecimento e, lá vem ele.
Pedrinho já vinha com 28K nas pernas.
"Então, tudo bem?"
"Sim, até agora estou bem"
Subimos a rampa de acesso á ponte (nunca achei tão fácil aquela subida como agora!), ponte a tremer (é sempre assim), muita gente a incentivar e lá viramos para o freixo.
Retorno ao 31,5K, abastecimento e já estamos novamente na ponte D. Luiz (K33)
Aqui, muita gente a incentivar e, claro, lá entrem os outros três amigos na corrida.
Isto é que era!
Pedrinho ali com cinco, repito cinco amigos a darem-lhe apoio nestes últimos kilómetros.
Logo á saída do túnel ouço gritar pelo meu nome.
Quem era?
O nosso grande amigo Luís e a Joãozinho estavam ali á nossa espera para verem estes tolinhos a correr á chuva.
Siga.
Alfândega, agora é a descer e lá iam os "guarda costas" a fazerem o seu trabalhinho.
Claro, estou fresquinho como um alface e, olho para o lado e, só vejo atletas a "bufarem".
Os 35K já fazem mossa.
Lembro-me muito bem do que foi a minha passagem aqui neste local; já estavam a ficar sem pilhas e as pernas começavam a pesar toneladas.
Deu-me vontade de passar a minha energia para todos aqueles que iam a sofrer mas, nessa impossibilidade, ao passar por eles, passei a incentivá-los.
Chegados ao Museu do Carro Eléctrico, novo abastecimento nos espera e Pedrinho pede para "sacar-mos" garrafas de água.
Lá o fizemos e ele passa a usá-las pelas pernas abaixo para combater o aparecimento de cãibras.
Fluvial já está, "anda, vais bater o record, falta pouco", era disto que alimentávamos o esforço dele.
Forte de S. João Batista (K39) e já estamos a entrar na Avenida Brasil.
O ventinho tinha nos acompanhado e agora passamos a ter chuva mais intensa.
Para mim, tudo bem, adoro chuva (só não gosto de muito calor e vento forte de frente).
A meio da Avenida aparece Flor e passamos a ter mais uma acompanhante.
Pedrinho vai olhando para o relógio regularmente, estamos a passar umas dezenas deles mais lentos e, de repente ouço "Ah, ah, ah, porra"
Pedrinho tinha parado e agarrava-se á sua perna direita.
"tenho cãibras, tenho cãibras", dizia ele com um rosto de dor.
Flor já está a esticar a perna dele.
"Continua a doer, continua a doer"
Nós ali todos parados e agora era a vez dos outros passarem por nós.
Decido entrar em ação e passo a massajar a sua coxa.
Enfio os dedos nos músculos para os libertar.
"ok, ok, já posso, já posso"
Inicia lentamente e começa a aumentar o ritmo.
Falta pouco, muito pouco para terminar esta odisseia.
Rotunda do Castelo do Queijo e já ouvimos o speaker no Queimódromo.
Flor deixa-nos e vai "buscar" outros atrasados.
Siga, vamos lá.
Já estamos todos na subida do Queimódromo (nunca fiz esta subida tão facilmente) e estamos a ultrapassar os dois estafetas das 4 horas.
Diz um deles "isto é que é uma equipa unida!"
Já estamos na reta da meta, vejo o marcador horário e, está antes das 4 horas.
Damos todos as mãos e cortamos a meta.
Lindo.
03:58:17
Grande tempo!
Cumprimentamo-nos todos como se esse grande tempo também fosse nosso.
Não é mas, é como se fosse.
Chovia cada vez mais mais mas, naquele momento não sentia nada apesar de igualmente estar muito frio.
Bom, agora há que ir levantar o nosso saco (Pedrinho tinha entregue um único saco com todas as nossas roupas para mudar).
Onde é?
Ali?
Naquele sítio tão pequeno?
Uma fila enorme para lá chegar.
Nós já a tremer de frio.
Íamos para o fim da fila quando este portuga, tipo "chico esperto", dispara: "vamos para aquela fila ali ao lado que é muito pequena (era a dos dorsais depois de 3000) e, depois viramos á direita e estamos lá na frente.
Eu sei que é feio, eu sei mas, desculpem lá o jeito mas, estávamos enregelados e debaixo de chuva intensa.
Lá fomos e, claro, já estamos bem lá na frente num amontoado de atletas a gritarem pelos funcionários para levantarem o dorsal.
Uma confusão dos diabos!
Havia quem tivesse um grande plástico para se cobrir e, decido ir para trás para encontrar pelo menos um para nos protegermos.
Lá fui e, quem os distribuía já tinha desaparecido.
"Não, não vou de volta sem nada , não".
Então, decido ir visitando as inúmeras barracas que lá estavam na esperança de encontra um plástico "esquecido" em alguma delas.
Lá vi um, dobradinho em cima de uma cadeira.
Zás, já cá está.
Voltei lá para a confusão e ainda deu para nos abrigarmos os três (eu, Teresinha e Pedrinho).
Tudo aos berros e tenho um a vomitar atrás de mim.
Ui, só me faltava esta!
Pedrinho tira o dorsal e, com ele na mão, dá um empurrão e já está na frente do gradeamento.
Consegue entregar o dorsal lá a um funcionário e já temos o nosso saco.
Voltamos e a fila ainda estava pior!
Fomos para dentro de uma das barracas e, mesmo ali, mudamos de roupa.
Ui, tirei a minha camisola que escorria água por todos os lados e vesti a camisola quentinha e seca.
Que bem que sabe, não é?
Ainda tínhamos 10 minutos até ao carro.
Uff, arrancamos e só paramos na estação do metro na Maia (tinha deixado aí o carro) e, casa.
Banho e, sentir o prazer do que é ter uma casa.
Pronto, uma odisseia esta maratona!
Já chega de texto, não é?
Então vamos lá ás imagens,


     Luís, Pedrinho, Mário Costa, Mike, Teresinha e Maria Loureiro (encoberta) na subida final




             Maria, Pedrinho, Mike, Luis e Teresinha, no último fôlego, a cortarem a meta 😁




                                                   Missão cumprida 😃


Reparem bem como chovia torrencialmente.
Até parece que estamos com os pés dentro de uma piscina!



  O nosso amigo Serafim Ramos (3583), agora disfarçado de Pai Natal com aquelas barbas 😌😌



                João Lima (9301) que participou na Family Race (15K), como sempre bem disposto



                               Leninha, como sempre, concentradíssima 😊



                                  E aqui a cortar a meta com cara de "dever cumprido"



Finalmentes,

Terminaram a maratona 4653 atletas
- Pedrinho, tempo de 03.58:17, lugar 2570 na geral
- Serafim Ramos, tempo de 03:52:06, lugar 2181 da geral

Da Family Race temos:
Terminaram a prova 2769 atletas
- Leninha, tempo de 01:34:00
- Silvério Pinto, tempo de 01:13:04, lugar 393 da geral
- João Lima, tempo de 01:23:31, lugar 1073 da geral
- Pedro Esperança, tempo de 01:27:35, lugar 1393 da geral
- Zé Esperança, tempo de 02:32:51, lugar 2765 da geral
- Helena esperança, tempo de 02:32:48, lugar 2764 da geral

Zé Esperança e sua filha Helena chegaram com esse tempo tão dilatado pois, durante a prova estiveram a  assistir um atleta de 83 anos, tendo estado parados 50 minutos a acompanhá-lo até á chegado do 112.
Ah, grande família Esperança!

Agora, os homens e mulheres voadore(a)s,
Maratona,
- Vencedor masculino. Robert Chemonges, tempo de 02:09:03
- Vencedora feminina: Abeba Gebremeskel, tempo de 02:30:09
Family Race,
- Vencedor masculino: Jorge Cruz, tempo de 00:46:31
- Vencedora feminina: Emília Pisoeiro, tempo de 00:52:15

E pronto.
Agora é tudo.
Ou antes, ainda temos mais três coisinhas para terminar,
- a organização é excelente mas, desta vez, na entrega dos sacos guarda roupa esteve muito mal
- em dezembro já nos vamos inscrever para a maratona de novembro.2019
- e, Pedrinho, "quem tem amigos não morre na cadeia", não é?

Bjs a abraços para todos,
MIKE
Happyrun
2018.novembro



PS:
Acabo de ler um comunicado da Runporto no seu facebook sobre o problema do guarda roupa.
Aqui vai,


Isto sim.
Isto é um atitude digna.
Por mim, estás perdoado.
Até para o ano.
















3 comentários:

  1. Grande exemplo de equipa unida! Muito bonito!

    Em Novembro lá estaremos todos nos 42 :)

    Só uma correcção quando dizes "ainda não dá para duas meias seguidas". Pois uma Maratona não são duas Meias seguidas. É bem mais do que isso, eh eh!

    Um abraço e muito obrigado pela referência que me fazes :)

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  2. Caro João,
    Tens toda a razão, a maratona é a maratona.
    Bons treinos e Valência espera por ti :)
    Gd abraço
    MIKE

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  3. Primeiro que tudo, Parabéns a todos!

    Conheço ao vivo e a cores, a Maratona do Porto desde a sua 2ª edição, e é com muito gosto que a vi crescer, evoluir e chegar a hoje como está! Mas este ano teve uma falha grave, daquelas que não se deve nem pode ter. A entrega dos sacos! Vários factores levaram a que acontecesse! De cabeça levantada, com coragem e responsabilidade, o director da prova, publicamente, assume, pede desculpa e promete jamais acontecer! Porque o conheço e conheço a Maratona do Porto, acredito! E para o ano lá estarei de novo!!! E quero correr a Maratona!

    E adorei ler isto:
    "em dezembro já nos vamos inscrever para a maratona de novembro.2019"

    Porque a MARATONA DO PORTO merece! A nossa confiança e a nossa preferência!

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